Fim da primeira rodada de entrevistas
- Palavra e vereda

- 19 de mai. de 2025
- 3 min de leitura
Foram cerca de três meses de trabalho e seis entrevistas publicadas.
Publicamos, na semana passada, a última entrevista da primeira rodada planejada para o primeiro semestre deste ano. Foram cerca de três meses de trabalho e seis entrevistas publicadas. O resultado dessa experiência foi ímpar. Tínhamos uma ideia de como seriam as publicações, mas mudamos de rumo diversas vezes, pois, a cada entrevista, nos surpreendíamos com as respostas e com o material que era produzido.
A pergunta — à primeira vista simples — “qual livro marcou o início da sua formação em psicanálise?” chegou para cada psicanalista entrevistado de maneira diferente, o que provavelmente tem a ver com o percurso que cada um tem e construiu e com o que marca a relação de cada um com essa coisa que convencionamos chamar de psicanálise — seja a relação com uma certa língua, com a literatura, com a loucura, com a irreverência, com as contradições ou mesmo com a inventividade.
Ser entrevistadora, escutar o relato da formação de um psicanalista com quem estabelecemos certo tipo de transferência, foi como, de repente, tornar-se uma intrusa em uma história — poder acompanhar e fazer perguntas que, em outros espaços, podem não ser bem-vindas.
Freud é o autor mais comentado nas entrevistas como o que marca a entrada na psicanálise e o contato com o que é o inconsciente. Os textos freudianos citados foram A Negação, A interpretação dos Sonhos, Introdução ao narcisismo e Os três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Não poderia ser diferente, afinal, são esses textos que formulam, pela primeira vez, esse algo que escapa da consciência e que afirma: o eu não é senhor em sua própria casa.
Além disso, a literatura apareceu nas entrevistas como aquilo que complementa e dá suporte aos estudos, justamente por nos contar algo sobre a subjetividade humana, seus sofrimentos e controvérsias.
Essa foi a primeira proposta das entrevistas, mas outras já estão em curso, com novas perguntas e conversas mais longas. O que virá a seu tempo, pois depende de uma série de fatores — e não apenas da vontade das entrevistadoras.
De modo geral, nos interessa documentar e fazer circular esses fragmentos que ilustram como pode se dar a formação de psicanalistas, dar espaço para que diferentes histórias e percalços possam ser narrados, pois consideramos fazer parte daquilo que se transmite às novas gerações. Assim, temos notícias das mudanças de cada tempo, das divergências práticas e teóricas e do que permanece como fundamental na formação de um psicanalista.
Os entrevistados (em ordem alfabética):
Todas as obras e autores citados pelos entrevistados, para aqueles que se interessaram em conhecê-las (em ordem alfabética):
Alain Didier-Weill – Inconsciente Freudiano e Transmissão da Psicanálise (1988)
Antonino Ferro – [obra não especificada]
Austregésilo Carrano – Canto dos Malditos (2004)
Clarice Lispector – [obra não especificada]
E.T.A. Hoffmann – O Homem da Areia (1816)
Fiódor Dostoiévski – Niétotchka Niezvânova (1846)
Goethe – Fausto (1790)
Guimarães Rosa – [obra não especificada]
Jean-Claude Milner – A Obra Clara (1995)
Oswaldo di Loreto – Casos e Causos Acontecidos no Tempo das Diligências (2009)
Radmila Zygouris – [obra não especificada]
Sigmund Freud:
A Interpretação dos Sonhos (1900)
O Caso Dora (1905)
Introdução ao Narcisismo (1914)
O Infamiliar [Das Unheimliche] (1919)
A Negação (1925)

Convidamos vocês leitores a acompanharem e se inscreverem em nosso Substack para receber novidades sobre nossas atividades e nossos exercícios de escrita e circulação da palavra!




Comentários